REMOTO CONTROLE PERPETUA A TRADIÇÃO ROCKER DE GUARULHOS

 

Guarulhos, cidade da grande São Paulo, sempre teve tradição no rock’n’roll, ao contrário dos que imaginam que a populosa metrópole seja apenas uma cidade industrial, sem apelo cultural algum. Basta lembrar que foi em Guarulhos que surgiu, na década de 90’, um dos maiores fenômenos de vendagem da história recente do rock brasileiro, os Mamonas Assassinas. E é em Guarulhos também que, no novo milênio, essa tradição deverá ser mantida através do trabalho do quinteto Remoto Controle.

Surgido na cidade há cinco anos, o grupo já tem recebido grande destaque devido ao seu repertório de rocks básicos e classudos, com uma forte pegada na grande escola do rock brasileiro dos anos 80’. Isso fica muito claro nos energéticos shows que a banda vem fazendo desde que foi fundada pelo letrista e vocalista Volges Severo e pelo guitarrista Rogério Teto – além dos dois, integram o line up atual do conjunto os músicos Fabiano Carelli (guitarra), Xandinho (baixo) e Ricardo Goedert (bateria). “Não podemos ter pudor em admitir nossas influências”, explica Volges. “Não vamos esconder ou negar que gostamos mesmo das bandas brasileiras dos anos 80’, na nossa opinião, foram a grande escola do rock nacional”. Com certeza Volges está coberto de razão. Tanto ele quanto os outros integrantes da Remoto Controle estão na casa dos 30 anos de idade e, assim, nada mais natural do que prestarem vassalagem aos grupos que fizeram a cabeça dos adolescentes naquela época.

Por isso, quando você ouve as canções do Remoto Controle, se sente imediatamente transportado para aquela época sem que, com isso, o trabalho da banda perca em personalidade e identidade com as novas tendências que permeiam o rock brasileiro de hoje. Volges, que além de letrista é poeta e ator conhecido em Guarulhos, possui mais de 70 músicas inéditas compostas e afirma: “no nosso caldeirão sonoro entra desde Van Halen, Barão Vermelho, Titãs e O Rappa, até Foo Fighters. Bandas que tocam de verdade não se prendem a rótulos e tendências e acho que esse é o nosso caso. Gostamos simplesmente de tocar rock’n’roll”. Ele sabe do que está falando, devido à sua experiência em diversas outras formações. Além disso, o Remoto Controle conta com um grande trunfo em sua atual formação: a participação no grupo do guitarrista Fabiano Carelli, hoje um dos músicos mais destacados do rock nacional. Além de ser professor do conceituado instituto EM&T (fundado pelo saudoso guitarrista Wander Taffo), ele também atua como segundo guitarrista da mega banda Capital Inicial, acompanhando o grupo brasiliense em suas apresentações ao vivo.

Todos esses detalhes conferem força e personalidade ao repertório do conjunto que, em canções como “Tente e viva”, “Última guerra” ou a própria música que dá nome ao grupo, exibe guitarras poderosas mas ao mesmo tempo com grande apelo pop nas melodias. As letras escritas por Volges, então, abarcam diversos sentimentos e leituras: elas tanto podem falar de desencantos emocionais como problemas sociais e políticos, como todo bom rock deve ser.

Com cinco anos de estrada, muitos shows no currículo e um enorme e ótimo repertório pronto para ganhar o grande público sedento de ótimas novidades musicais, o Remoto Controle irá lançar em breve – possivelmente até o final de 2008 – seu primeiro álbum oficial. Sim, a banda sabe que, nos dias de hoje, é fundamental formar seu público e mostrar seu trabalho através das novas mídias virtuais, como mp3, MySpace, Orkut, Trama Virtual etc. E por isso mesmo, por poder contar com todas estas ferramentas de divulgação à mão, é que as bandas sabem que a concorrência está cada vez mais acirrada e que só quem é bom mesmo ainda consegue fazer um grande lançamento no formato tradicional do cd. O Remoto Controle acredita no potencial de seu trabalho e sabe que, quando o disco sair pra valer, ele será amplamente reconhecido não apenas pelo público mas também pela crítica musical.

Aliás, o próprio nome da banda evidencia que não há fronteiras nem preconceitos entre seus integrantes, quando o assunto é boa – ou ótima – música: o batismo do grupo vem, segundo Volges, da canção “Esquadros”, de Adriana Calcanhoto. “Um sentimento forte, sem controle, é isso”, diz Volges.

A tradição rock de Guarulhos continua viva e forte, mais forte do que nunca. E irá continuar assim, através do trabalho do Remoto Controle. Esperem e verão!

 

Humberto Finatti

Revista Rolling Stone/blog Zap’n’roll (portal Dynamite Online – www.dynamite.com.br)



A BANDA:

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